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quinta-feira, outubro 30, 2003

POST PARA O FERNANDO VIEGAS

Tenho acompanhado alguns dos momentos da vida do Fernando Viegas. Quer no plano pessoal, quer noutros planos onde privámos, tivémos sempre uma postura frontal, de amizade recíproca e de saber estar na vida.
Não necessitamos de estar sempre de acordo. Ele lá e eu por cá, entenda-se Tavira e Portimão, fomos sempre selando o tempo com novas experiências (leia-se casamentos) e atravessando a vida, tal qual ela é.
O Fernando já vai à frente. Diga-se que com muito bom gosto. O nascimento da sua filha foi um marco, para ele e para a Carla, que nunca esquecerão.
Acompanhei a doença da Rita com o coração nas mãos. Sentimento próprio de quem se preocupa com os outros. Não lhe telefonei. De propósito.
Acho que o que mais necessitava naquele momento era de tranquilidade e de outros telefonemas, principalmente oriundos do Hospital de Faro, com boas notícias. Infelizmente, se lhe telefonasse, não teria boas notícias, só acrescentaria mais preocupação e obrigaria a repetir tudo aquilo que, com coragem sublinhe-se, foi escrevendo no seu blog.
Fico contente por tudo ter passado. Hoje é o tempo próprio para lhe dizer. E permitam-me ir mais longe.
Hoje é o tempo exacto para lhe dizer o quanto fiquei sensibilizado pela sua postura pessoal e pela atitude da Carla.
Como os conheço, estes comportamentos não me surpreenderam. Mas, acreditem que me fizeram respeitá-los mais.
DE REGRESSO...

Parei para olhar o mundo. Às vezes é necessário.

segunda-feira, outubro 20, 2003

DAQUI PARA ALI E DE LÁ PARA CÁ

Imaginem a seguinte situação que um amigo me contou noutro dia. Ele costumava sair com os amigos e, quando estavam todos juntos, era hábito falarem de situações vividas por cada um e até, um pouco maliciosamente, lá criticavam este ou aquele, por posturas menos correctas ou por terem dito isto ou aquilo.
Todos escutavam, todos se riam das situações descritas na certeza que, enquanto pessoas crescidas, estes comentários nunca sairiam dali.
Porém, pouco a pouco, foram-se sucedendo situações que não batiam certo.
Desde logo, as pessoas visadas pareciam saber tanto como as do grupo. Depois, era esquisito que aquilo que se comentava, às vezes sem a tal pontinha de maldade, assumia umas proporções que nada tinham a ver com a importância que lhes era atribuída.
Era um mistério. Mas na vida, estes mistérios têm perna curta.
Pouco demorou até apanharem o elo de ligação.
Quais os motivos que levarão estas pessoas a fazerem este tipo de trabalho sujo? Fama? Reconhecimento? Consideração?
Sabem, no fundo, tenho pena destas pessoas. Acho que pouco mais merecem...

sexta-feira, outubro 17, 2003

VEZES 3

Hoje proponho 3 reflexões:

1ª - ESCOLHER

A vida é feita de escolhas. Acho que já fiz referência a este assunto neste blog. Todavia, é um dos assuntos que importa sempre repetir.
Escolher é complicado. A vida é mais fácil, embora extremamente frágil, para aqueles que andam ao sabor da corrente. Nem são carne, nem peixe. Dão-se com todos, são por todos e pouco mais do que isso (não vá a vida andar para trás).
O facilitismo sai caro. A ausência de escolhas e do exercer das mesmas, provoca um aparente bem estar, mas apenas disfarça o inevitável: a cobardia.
Torna-se imperioso escolher com quem quero estar, para onde quero ir, o que quero fazer, ou decidir pequenos pormenores tais como, com quem vou almoçar, beber café, enfim, num plano global e resumido, quem quero ser e como o hei-de ser.
Depois resta a coragem para enfrentar as consequências das nossas decisões. De peito aberto e gestos firmes.
Afirmar-nos nunca há-de ser um problema. Já o contrário, só nos fará passar por bananas.

2ª LUTAR COM FIRMEZA

Levei uma "estalada" quando cheguei ao almoço. Foi uma daquelas porradas, em sentido figurado claro, que todos deveríamos levar de vez em quando para descermos à terra.
O mundo onde vivemos também é feito de pequenas grandes lutas, que nos passam ao lado. Habituados a ouvir as hitórias que a rádio nos conta, ou vendo-as na TV ao longe, enquanto estamos confortavelmente sentados no sofá, não temos uma sensação real e exacta das mesmas. O que vi foi um gesto de firmeza. Simples. Mas que merece ser contado. Um homem almoçava sozinho numa esplanada de Faro. Lutando por cada garfada que levava à boca, impossibilitado de manter um ritmo cadenciado e normal pelo facto de padecer de alguma doença (suponho que do foro neurológico), dava um exemplo de determinação louvável.
Fiquei a admirá-lo durante breves segundos. O que estava a minha frente, não sendo uma daquelas cenas que aparecem nas revistas cor de rosa, era um homem que lutava incansavelmente contra o seu próprio corpo, sendo prisioneiro do mesmo.
Nestas circunstâncias poderia abdicar do seu esforço. Poderia inclusivé render-se à doença.
A sua resposta era precisamente o contrário.
Grande exemplo para todos nós.

3ª - POBREZA

Ficámos a saber hoje que há pessoas que vivem com menos de 1 euro por dia. Portugal, no quadro da Europa comunitária, é o país onde se sente mais a diferença de classes, ou seja, os ricos mais ricos e os pobre mais pobres.
Preocupam-me estes factos. É como dizia um colega meu, enquanto tomávamos um café, às vezes preocupamo-nos com coisas tão fúteis que apetece perguntar com que direito o fazemos.

quinta-feira, outubro 16, 2003

DIFERENTE

Ontem fui algo agressivo na escrita. Escrevo isto, não porque me tenha arrependido ou deixado de subscrever as ideias expressas, mas, porque como comentou alguém que leu o texto, também devemos realçar o lado bom que todos temos, por mais difícil que seja encontrá-lo em algumas pessoas.
Vejo alguma razão no pedido. Por isso, ao som de Rodrigo Leão e do excelente tema Alma Mater, que julgo inspirador, decidi olhar com mais atenção para algo que se celebra hoje: os 25 anos de pontificado do Papa João Paulo II.
Considero-me católico, menos praticante do que deveria (disso me penitencio) e defensor de uma igreja moderna, aberta a todos, comunicativa e essencialmente tão atraente quanto apelativa.
Nem sempre tenho defendido todas as ideias expressas pelo Papa e pela igreja no seu todo. Já tivemos em desacordo. Mas, mesmo estas diferenças de opinião, numa avaliação global da nossa relação, não constituem uma barreira, pois é mais forte o que nos une do que aquilo que nos separa.
Estas diferenças, não me permitem sequer adulterar o meu juízo sobre a pessoa de que vos falo.
O Papa João Paulo II, é para mim, uma referência profunda enquanto lutador pela paz, por uma sociedade mais justa e equilibrada, em suma, por um mundo melhor. É uma das personalidades do século XX e sê-lo-á também do princípio deste século.
Tenho 29 anos. Não me lembro de outro Papa, apesar de ainda ter vivido outro pontificado, mas numa idade que não me permitia, por razões óbvias, tirar grandes hilações.
Por isso, associarei sempre João Paulo II à tolerância, à serenidade que sempre demonstrou, à lucidez (pese embora a doença) e ao diálogo mantido com muitos povos espalhados pelo mundo.
São predicados que deveriam merecer de todos nós um maior reconhecimento pela sua vida e obra realizada. Esse sentimento deve ser tido hoje, enquanto for vivo, pois as homenagens não se devem fazer só depois da morte.
Julgo que para bom entendedor, meia palavra basta.

quarta-feira, outubro 15, 2003

A VERDADE ESCONDIDA

Quando estamos frente a frente com uma pessoa, que conhecemos mal ou que acabámos de conhecer, em que é que pensamos?
Num primeiro olhar, numa primeira, ou primeiras abordagens, quais são os pormenores em que reparamos?
Se fosse um homem, e numa pura visão machista, dir-vos-ia que olharia, desde logo, para alguma parte da mulher, avaliando o seu físico e extrapolando essa avaliação para o campo da imaginação.
Se fosse uma mulher, esta olharia para alguma parte do homem, num espírito parecido ao descrito no parágrafo anterior, mas com uma maior descrição, atitude característica do lado feminino.
Hoje em dia, os comportamentos acima descritos ainda existem. Mas coexistem com uma outra atitude: a desconfiança.
A intuição e a tentativa esforçada e, em alguns casos desesperada, para saber quem temos à frente é uma regra que não devemos esquecer, nem podemos desvalorizar.
A questão é tão complicada, como complicados são os pântanos por onde nos movemos.
O comportamento tido perante alguém que conhecemos mal ou que acabámos de conhecer, deixou de ser sexualmente interessante, ou até, como defendo em primeira instância, mentalmente estimulante, para passar a ser uma mera equação destrutiva.
Consequentemente, em vez de umas boas nádegas, de uns lábios sensuais ou de umas mãos sensíveis e bem feitas, ou ainda, em vez de alguém que gostamos de ouvir e a quem reconhecemos inteligência e boa educação, passámos a duvidar logo de quem temos pela frente, relegando a aventura para segundo plano.
Interrogamo-nos sobre qual será a verdade escondida dessa pessoa? Qual será o seu comportamento connosco? Quando é que nos irá "passar a perna"? Quando é que nos tentará enganar?
Foi a própria sociedade em que nos inserimos que nos tornou assim. Foi a sucessão de enganos que todos nós vivemos e todas as histórias que ouvimos que nos corromperam.
Hoje somos todos desconfiados antes de o sermos. Somo-lo mentalmente, sempre com um pé atrás.
A competição, ou se preferirem o jogo da vida, poder-se-ia chamar "Comportamento Incerto", onde todos somos obrigados a adivinhar quem é a pessoa que temos pela frente e quais as suas intenções.
A verdade escondida é o título de um filme. Porém, as palavras "verdade" e "escondida", infelizmente, ultrapassaram a sétima arte. Não temos tido outra opção, senão viver um filme com o mesmo nome, sabendo que não é ficção, mas sim uma dura realidade.
Apesar de ter a sorte de conhecer gente muito boa, vejo com apreensão o rumo para onde todos caminhamos. Reconheço isto com mágoa. Muita mágoa.

terça-feira, outubro 14, 2003

AFINAL NEM TUDO É MAU...

Tinha que escrever isto. Por dois motivos: primeiro,porque afinal nem tudo é mau, e segundo, é da mais elementar justiça.
Desloquei-me às finanças. Era cedo. Entrei desejoso de tratar o meu assunto, e, é mais forte do que nós, receoso pelo tempo que lá iria demorar.
Primeiro olhar. Uma pasmaceira parcial. Desculpei-a mentalmente, sei que custa aquecer os motores logo de manhã. Fi-lo também porque ao pé de mim, já uma funcionária dava o litro (como se diz na gíria) para responder aos pedidos do cliente que me antecedeu.
Sei que é feio ouvir a conversa dos outros. Porém, não o conseguiria evitar mesmo se o quisesse. Fiquei a saber que tinha começado o dia com o pé esquerdo, coisas dos miúdos e do começo da escola.
Primeiro diálogo. Como não sabia preencher o documento que me havia facultado minutos antes, peço-lhe ajuda. Responde com alguma distância, mas dá-me todos os pormenores que necessito. Continuo a preencher o documento, e vou metendo conversa. Simples e eficaz.
Começo a ver outra pessoa à minha frente. Solta-se, descontrai e sorri.
Sinto-me melhor, começa a haver alguma empatia.
Quando a inserção dos dados está quase completa, surje outro problema. A funcionária, pede desculpa, porque é impotente para resolver o que estava mal. A solução implicava ter de sair, procurar a minha mulher e trazer alguns dos seus documentos.
Digo mal da minha sorte entre dentes. Digo-lhe que volto já.
Entro na porta ao lado para actualizar o meu documento fiscal. Devo-lhes confessar que fui espectacularmente bem atendido. Os níveis de acolhimento, atendimento e eficácia foram enormes. Resolvi o meu problema em 5 minutos. Nem mais.
Regresso triunfante. A primeira funcionária surpeende-se: - Já?
Sorrio e justifico a minha atitude. A empatia regressa ao nível mais elevado e conversamos normalmente.
Enquanto finaliza o pedido que havia solicitado, penso para mim que vos deveria descrever isto.
Nas finanças, afinal nem tudo é mau. Devo publicamente elogiar as duas funcionárias que me atenderam. Cada uma à sua maneira cumpriram a sua missão de uma forma bastante eficaz e com muita simpatia à mistura.
Sei que existem centenas de outras histórias com outros desfechos. Deixo-vos esta para equilibrar o saldo.

sexta-feira, outubro 10, 2003

A ARTE DE JOGAR EM EQUIPA E SER O NÚMERO 10

A minha paciência esgotou-se. Estou farto dos falsos habilidosos. Pior! Estou enjoado com os artistas que jogam sozinhos.
Quem é que julgam que são?
Será que não reconhecerão as suas fraquezas enquanto eternos individualistas?
Não consigo explicar o inexplicável. Apesar de haver pessoas que, talvez porque nunca tenham practicado um desporto colectivo, sintam mais dificuldades em partilhar o trabalho e a rentabilizar o seu esforço, tal facto não as absolve.
Até porque, para além disto, ainda acham que a vida é uma quinta, separada das outras quintas, onde podem mandar a seu belo prazer, educar os seus seguidores e pavonear-se como grandes exemplos.
São visões e atitudes erradas. Profundamente erradas. O sentimento é mesquinho e o comportamento deplorável.
Jogar em equipa, seja no futebol, na profissão ou na nossa vida, é o caminho mais correcto para a nossa própria afirmação pessoal, tendo sempre como princípios: a humildade, a entrega e a lealdade.
Desde que o façam sob as regras e os deveres de uma equipa, só assim, essas pessoas, poderão ambicionar ser o número 10, ou seja, o(a) tal que comanda a equipa e organiza o seu jogo.

quinta-feira, outubro 09, 2003

MEMÓRIAS

Ao chegar ao meu emprego, ainda a manhã dava os primeiros sinais de vida, não pude deixar de notar uma situação digna de registo.
Numa obra, no centro da cidade, um homem, aproximadamente com 70 anos, olhava para um buraco, onde existiu outrora uma casa e, consequentemente, uma vida própria.
Não sei se era a dele, mas a expressão nostálgica, e apesar de apenas ter registado a sua expressão durante breves segundos, queria dizer muito mais do que um simples olhar curioso.
Provavelmente, aquele olhar, foi o recordar de outros tempos, outras situações vividas e acima de tudo, uma saudade por um tempo que passa e não volta.
Assumo que sou bastante nostálgico. Tal como aquela pessoa, vestida com roupa simples e de aspecto simpático, recordo muitas vezes outras cenas do livro da nossa vida, e que vamos todos escrevendo até morrermos.
A nostalgia comanda a vida. Sem prejuízo de termos saudades do futuro e do que aí virá, as nossas memórias devem ser respeitadas e enquadradas naquilo que fomos. Com todo o respeito pelo nosso passado, sem medo do presente e com coragem para viver o futuro.

quarta-feira, outubro 08, 2003

O QUE SEREI AMANHÃ???

Mariana era bastante novinha. Naquela altura ainda não sabia o que é que a vida lhe iria reservar. Era, por isso, tão natural a sua curiosidade, como, a dificuldade em prever o seu próprio futuro.
A pergunta era lógica:
- Mãe, o que é que irei ser quando for grande?
Estas questões, e outras curiosidades da Mariana, eram uma constante. A sua mãe já estava habituada a estas questões tão simples quanto complicadas. Ela, lá ia respondendo o melhor que sabia, tentando nunca fugir à questão, nem tão pouco à sua responsabilidade educativa.
Com aquela convicção que é característica de todas as mães, respondeu:
- Serás tu a decidir o teu próprio futuro, dentro do que está ao teu alcance. Independentemente das tuas opções, tenho a certeza que serás uma boa pessoa. Seja qual for a profissão, lembra-te que a educação e a maneira de estar na vida, são os maiores predicados para fazer deste mundo algo melhor.
Mariana só entenderia algumas destas palavras, quando fosse mais velha, mas a resposta da sua mãe fê-la reflectir e ponderar melhor em muitas das situações que viveu.
As mães sabem. Têm aquele dom, que lhes é característico e que nos permite crescer interiormente. Já não tenho a minha, aliás, sinto imenso a sua falta, mas esta história, que não é minha, poderia ser uma lição de vida para todos nós. Assim houvesse vontade...

terça-feira, outubro 07, 2003

UM POEMA

Recebi no outro dia um poema de um amigo. Pedi-lhe autorização para o publicar neste blog. Ele aceitou. Não tem nome, não rima sempre mas acho que é muito bonito.

Na ternura do teu olhar
sinto a costa, vejo o mar
entre os dedos que te afagam
entre os anseios que nos enervam.
Sorrio, é sempre uma descoberta
um pouco de luz, numa parte incerta
fazem maravilhas.
Sei que és tu
mas não estás,
admiro-te
mas não te encontro,
penso até ser capaz
de te tocar sem sair deste ponto.
Estar contigo é sorrir,
acima de tudo sentir
que somos assim,
um parágrafo sem fim,
um verso que não rima,
e será preciso rimar?
Não sei. Se for obrigação por lei,
logo deixarei de sonhar.

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